domingo, 8 de janeiro de 2012

PROVAS E PERCURSOS DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE

 “Embora as competições oficiais sejam todas baseadas no mesmo conceito e regras, existem diversas distâncias oficiais –  Sprint, Média, Longa, Ultra-Longa – onde deverá existir uma variação considerável no equilíbrio entre leitura do mapa, escolha do itinerário e capacidade física” – FPO.




 Uma das razões da grande vitalidade da Orientação é a grande variedade de formatos de provas e percursos que oferece aos seus praticantes: provas oficiais, provas de formação, de divertimento, de promoção, percursos de precisão (para indivíduos portadores de incapacidade física e mental e com extraordinárias possibilidades de transfert para a  iniciação com crianças dos 6 aos 8 anos), “percursos score”, percursos permanentes, …

Pena é que esta diversidade não seja mais utilizada nos treinos, convívios e estágios … pois serviria concerteza para ajudar a “desenjoar” a monotonia das sessões e a desenvolver ainda mais a motivação e a aprendizagem dos praticantes da modalidade …


Defendemos a introdução da maior variedade possível de exercícios, jogos e percursos nos programas de ensino e treino da Orientação. E isto para todos os escalões etários e níveis de aquisição …

Estes exercícios e situações deverão ser introduzidos e adaptados ao longo da formação do orientista, em progressão de dificuldade e complexidade crescentes, nos vários níveis de formação, desde a iniciação à competição, quer para crianças e jovens quer para adultos e veteranos.

Mais, defendemos que o treinador/professor poderá (e deverá) introduzir nos programas de aprendizagem e treino, “técnicas e competências introdutórias” das áreas relacionadas com as actividades de ar-livre, tais como: regras de segurança, primeiros socorros e orientação expedita/utilitária.

Claro que é possível introduzir tais situações sem alterar ou desvirtuar a lógica e a especificidade que caracterizam a Orientação enquanto modalidade desportiva praticada na floresta …

Mais importante é pensarmos que a variedade e riqueza técnico-pedagógica desta diversidade de situações, irá possibilitar aos praticantes, além de uma maior formação integral como indivíduos, a aquisição de um maior controlo gestual e técnico, e, por isso, uma mais ampla disponibilidade motora, contribuindo para uma preparação mais rápida e mais consistente como orientistas de competição.

Do ponto de vista pedagógico-didático, esta variedade de situações irá contribuir, concerteza, para melhorar o empenho e motivação dos praticantes.

Do ponto de vista social e profissional, poderá contribuir, pensamos, para o enriquecimento e desenvolvimento da modalidade.


1. PROVAS OFICIAIS DE COMPETIÇÃO

O SPRINT

Trata-se de uma prova bastante recente no mundo da Orientação e foi criada com o objetivo de promover a modalidade, tornando a Orientação mais visível e mediática. As suas características são propícias ao espetáculo para atrair os espetadores – disputadas cada vez mais em parques urbanos, estas provas permitem aos espetadores seguir os atletas na quase totalidade do percurso.

Consta de percursos de distância curta (2-3 Km, com cerca de 20 balizas, em mapas com escalas de 1:5.000 ou 1:4.000), praticados em terreno natural pouco arborizado de grande complexidade técnica (spints em floresta), em parques e jardins públicos, campos universitários ou áreas urbanas, sprints mistos (parte em floresta e parte em terreno urbano), exigindo elevada velocidade de progressão e uma concentração total aliada a uma enorme pressão do tempo.

Os percursos urbanos exigem ainda uma grande rapidez de interpretação do mapa com muitas mudanças de direção – obrigam a decisões muito rápidas a velocidade elevada e muita atenção às “armadilhas” montadas pelo traçador de percursos (passagens subterrâneas, becos sem saída, pequenas escadas, …).

Os atletas partem de minuto a minuto e o tempo do vencedor situa-se entre os 12 e os 15 minutos. A cronometragem faz-se ao décimo de segundo e as diferenças entre os atletas são mínimas – os resultados mostram frequentemente 15 a 20 atletas situados no mesmo minuto.


A PROVA DE MÉDIA DISTÂNCIA

Trata-se do formato da prova oficial mais técnica e dura em média 30 a 35 minutos para os melhores. As distâncias variam entre os 4 e os 8 Km em função do desnível e são realizadas em mapas de escala 1:10.000. O terreno é frequentemente muito detalhado – micro-relevo, vegetação tapando a visão, etc. e o traçado dos percursos é feito nas zonas mais exigentes e com muitas mudanças de direção – exigindo grande capacidade de leitura (quase permanente) do mapa.

Enquanto o sprint põe à prova principalmente a capacidade de orientação a grande velocidade em terrenos relativamente mais simples (tornados mais difíceis pela velocidade de execução), esta prova quer-se o mais técnica possível.

Os percursos são rápidos, obrigando o orientista a um ajustamento constante entre a velocidade de progressão, a concentração e a leitura fina do terreno. As escolhas de itinerário são curtas e muito variadas o que torna os mapas ricos em pormenores, exigindo do atleta diferentes tipos de navegação e variações de velocidade.

Para os atletas de nível mundial – e para todos aqueles que se encontrem em boa forma física e psicológica – esta parece ser a prova que “dá mais gozo”, pelos seus permanentes desafios técnicos realizados a uma velocidade elevada desde a partida à chegada, sem se chegar a atingir o esgotamento físico.

Geralmente os orientistas preparam-se para estas provas, tendo em conta:
•    A utilização de mapas com escala 1:10.000 de terreno tecnicamente difícil;
•    A marcação de percursos com muitas balizas e com muitas mudanças de direção;
•    Procuram manter uma concentração intensa e máxima nos primeiros pontos, pois são frequentemente decisivos nas provas;
•    Fazem um aquecimento mais ou menos longo – mais longo do que para as provas de longa distância.


A PROVA DE LONGA DISTÂNCIA

É o formato mais clássico – é a “prova rainha” da Orientação pedestre. Uma das características mais relevantes desta prova é a capacidade de se fazer opções de itinerário e ler o mapa sob pressão física importante, sobretudo na última parte da prova. Resistência e concentração (os erros custam caro …) são, pois, fatores necessários para o êxito, na condição de se escolher o melhor itinerário …

Com distâncias até 15 Km e 10 a 30 balizas para a elite masculina (menos para jovens, damas e veteranos), dura cerca de 70 minutos para a melhor atleta e 90 a 100 minutos para o orientista vencedor. A distância dos percursos permite variar o traçado e os tipos de terreno que atravessam – áreas bastante diversificadas, quer ao nível do relevo quer ao nível da vegetação, bem como da existência de alguns caminhos que possibilitem uma opção mais longa, para evitar zonas técnicas. Assim, estes percursos podem começar em zonas tecnicamente fáceis em que o atleta pode correr à vontade e terminar com pontos de controlo próximos uns dos outros em zonas de vegetação densa e com relevo exigente. É uma prova fisicamente desgastante e contém várias pernadas longas.

A escala mais utilizada é a 1:15.000. No entanto, para os escalões de formação e escalões menos jovens, utiliza-se a escala 1:10.000 – mas por vezes podemos levar os jovens a divertirem-se na escala 1:15000 com o objetivo de trabalharem a noção de distância e as escolhas de itinerário.

Para se preparar para as provas de longa distância o atleta deve ter em conta:
•    A escolha de mapas com características diversificadas, terreno exigente e escala 1:15.000;
•    A utilização de percursos com muitos pontos de controlo, relativamente distantes uns dos outros e com várias opções de escolha;
•    Fazer sessões de treino de mais ou menos 75 minutos de duração;
•    Concentrar-se sobre uma determinada distância – a da prova que está a preparar;
•    Procurar mais a endurance de concentração, tentando permanecer eficaz e lúcido – sobretudo nos últimos 20 minutos do percurso, quando se começa a perder a concentração e a cometer mais erros devido à fadiga – depois de mais de uma hora de esforço.

Na perspetiva do orientista de alta competição Thierry Georgious, o atleta deve optar pela seguinte tática nas provas longas:
•    Tentar economizar-se na primeira parte do percurso, utilizando o mais possível os caminhos; de uma maneira geral tentar não se desviar muito da rota do “traço vermelho”, salvo se há vegetação densa ou grandes desníveis nessa trajetória;
•    Tentar selecionar zonas que assegurem uma progressão rápida e segura e, na zona do ponto de controlo, observar o envolvimento da baliza para encontrar um acesso (ponto de ataque) relativamente simples na sua abordagem para não perder tempo;
•    Na construção dos itinerários, selecionar os elementos do terreno mais evidentes (sobretudo do relevo), mais visíveis, que permitam correr mais depressa sem riscos de errar – procurar informação no horizonte o mais longe possível;
•    Quando o terreno é plano utilizar a bússola e seguir o mais possível a direção do “traço vermelho”, tentando encontrar trajetórias bastante retilíneas, salvo se houver vegetação densa a evitar.


A DISTÂNCIA ULTRA-LONGA

Provas realizadas em mapas de escala 1:15.000, só para indivíduos adultos, bem preparados física e psicologicamente. É aconselhável a realização deste tipo de provas em terrenos montanhosos, de grande exigência física e técnica.


AS ESTAFETAS

Em equipas de 3 orientistas, cada atleta da equipa efetua um dos 3 diferentes percursos. Os primeiros atletas de cada equipa partem simultaneamente – partida em massa. Os dois seguintes partem quando o orientista precedente tiver acabado o seu percurso. No final das três partidas, as equipas terão realizado exatamente os mesmos percursos.

A velocidade de corrida é elevada, os adversários estão frequentemente em contato direto quando têm o mesmo percurso. Os tempos situam-se nos 40 a 45 minutos por percurso. São, em geral, provas espetaculares. O traçado deve ter em conta a necessidade dos espetadores poderem seguir de perto a evolução da competição. É usado um sistema de “junção/separação” nos percursos, para aumentar o número de combinações possíveis, de forma a minimizar as “colas”. A parte final dos vários percursos deve ser idêntica, de forma a aumentar a espetacularidade da prova, já que atletas do mesmo escalão que terminam juntos estão a competir diretamente entre si, sendo vencedor o atleta que passa a linha de chegada em primeiro lugar.


AS PROVAS PARA OS ESCALÕES DE FORMAÇÃO

Sugerimos, para ver informação detalhada sobre os cuidados especiais a ter em conta com as provas destinadas às crianças, a leitura do Caderno Didático nº 2, que pode ser consultado no site da FPO: http://www.fpo.pt/www/images/fpo/OrientacaoEscolas/cadernodidacticon%BAdois.pdf



2. OUTRAS PROVAS (continua)
       Percursos score
       Percursos permanentes
       Provas espetáculo
       Orientação Adaptada
       ...










sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A IMPORTÂNCIA DA SINALÉTICA


Em Orientação, em paralelo com uma boa leitura do mapa, é indispensável conhecer-se as definições dos pontos de controlo (“Sinalética”). Esta competência é frequentemente negligenciada pelos principiantes e pelos jovens.

Cada baliza está representada no mapa por um círculo vermelho. O elemento característico do terreno onde está colocada a baliza (rocha, junção de caminhos, fonte, depressão, …) deve estar no centro desse círculo.
No entanto, esta referência não é suficiente, porque:
•    O círculo pode estar mal centrado no mapa;
•    Se o mapa for muito detalhado à volta do ponto de controlo, numerosos detalhes geográficos poderão figurar dentro do círculo (por vezes 4, 5 ou 6). E mesmo que o ponto esteja bem posicionado o orientista pode facilmente confundi-lo com um outro. Por exº: no caso de estar em área de vegetação bastante densa, se procurarmos a baliza na depressão, estando ela no cimo da pequena cota, iremos perder tempo precioso até encontrarmos o prisma cor de laranja e branca …

A sinalética indica ainda a posição da baliza em relação ao seu elemento característico – pé sul da colina, ângulo norte da clareira, …
De uma maneira geral, as balizas estão colocadas no lado oposto ao sentido de chegada ao ponto de controlo. Porém, no caso das falésias/penhascos, por uma questão de segurança, as balizas situam-se, na maioria dos casos, no pé e não no cimo.

Menciona também os abastecimentos que poderemos encontrar nos pontos de controlo – muito importante para a hidratação nas provas de distância longa e no tempo de calor.

Indica igualmente o código das balizas. Aconselhamos vivamente a controlá-los durante as provas (sobretudo nos sprints urbanos) para que não tenham dissabores no final quando forem ver as folhas dos resultados … 

Basta, portanto, saberes interpretar um bocadinho de papel … e conheceres de cor o conjunto da simbologia internacional normalizada pela IOF …


Vejamos o exemplo da imagem de cima:

Imediatamente reparamos que estamos a realizar um percurso H21E, de 12.300 metros de distância (em linha recta), com 10 pontos de controlo e que comporta um desnível de 270 metros (somatório dos desníveis de todos os pontos de controlo) e que a última baliza dista da chegada 350 metros.

Por uma questão didática acrescentamos também uma imagem que define por palavras os mesmos pontos de controlo:





Se ainda não dominas tudo sobre sinalética, deixamos-te aqui alguns recursos para aprenderes melhor e, sobretudo, aconselhamos-te a pedir ao teu treinador ou a outro amigo orientista para que ajude.








quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ORIENTAÇÃO – considerações gerais sobre o TREINO PARA JOVENS




Aspectos a ter em conta no treino para jovens:

•    Uma progressão prudente – desenvolvimento a longo prazo – desenvolvimento corporal harmonioso em todos os domínios – só uma “constituição de base” sã permitirá nos anos decisivos desenvolver as habilidades específicas – não abusar em caso algum dos jovens talentos;

•    Multidesportos e variedade – uma especialização precoce e um treino muito monótono podem fazer com que certos talentos caiam no esquecimento – Viva a variedade e a diversidade, porque trazem a mudança, e fazem aumentar a motivação e o prazer;

•    O treino dos jovens deve acentuar os exercícios de desenvolvimento geral – o treino da condição física específica para a corrida de orientação só tem importância ao fim de vários anos;

•    A flexibilidade, a agilidade, a velocidade e a força são igualmente importantes para os desportistas de endurance;

•    Exercícios complementares – treino em circuito no ginásio (aparelhos e agilidade), competições polidesportivas, exercícios que desenvolvam a endurance e outros factores da condição física. O treino variado permite solicitar todos os grupos musculares, equilibrar os esforços e dá a possibilidade ao corpo de se regenerar.

•    Meios para o treino variado:
-    outra escolha de exercícios, outra progressão de exercícios
-    mudança do percurso de treino
-    composição diferente dos grupos de treino
-    utilização de mapas reduzidos
-    mudança constante do nível de esforço semanal

•    Escolha dos exercícios – o corpo do jovem não pode ainda suportar completamente os esforços anaeróbicos. O metabolismo anaeróbico, ainda pouco desenvolvido, protege o corpo da acidificação. No entanto, se treinarmos as crianças e jovens no domínio anaeróbico, haverá aumento de lactato. Todavia, este só será eliminado lentamente o que é considerado pouco propício. Os corredores jovens deverão pois em primeiro lugar desenvolver a sua capacidade aeróbica;

•    Esforço e regeneração – na planificação do treino e competições, deveremos ter em conta a escola, as férias com os pais e outras actividades, porque após um esforço acrescido o tempo de recuperação deve ser prolongado. Caso contrário, aparecerão os sinais de sobrecarga (sobretreino): recuo da performance, perda de apetite, problemas digestivos, doença geral;

•    O volume e a intensidade do treino devem ser aumentados lentamente e de maneira contínua, para que o corpo se possa adaptar à carga suplementar. Uma preparação precisa e planificada começará por 2 – 3 treinos semanais para atingir depois de vários anos, no momento em que o atleta tem 19 – 20 anos, 9 a 14 unidades de treino (incluir a educação física escolar, actividades desportivas de clube e unidades polidesportivas). Não esquecer: aumentar o volume antes da intensidade;

•    Correlação “corrida” / “orientação” – uma capacidade de corrida desenvolvida melhorada resulta, na maior parte dos casos, numa perturbação da correlação corrida/orientação. Ter a preocupação que o treino diga respeito aos domínios que devem ser desenvolvidos. Por outro lado tanto o treino puro da técnica como o da corrida, os exercícios combinados técnico-físicos, deverão estar igualmente inscritos no programa de treino;

•    Os exercícios de estiramento e de ginástica favorecem a flexibilidade geral e permitem compensar os encurtamentos musculares intervenientes durante a corrida. Por outro lado o “stretching” pode acalmar. Nada de treinos nem competições sem exercícios prévios de aquecimento.

Se bem que a percentagem da actividade polidesportiva deva ser elevada, no caso dos jovens, é conveniente que o treinador tenha em conta todas as actividades desportivas realizadas semanalmente – educação física escolar, actividades do desporto escolar, caminho até à escola (se realizado a pé ou de bicicleta), outras actividades desportivas (nos clubes, com os pais, com os amigos) e, claro, o treino específico de Orientação – para poder prever variações, quer no seio da mesma semana quer semanas com esforço global diferente.

T= tempo de prova


REFERÊNCIAS:
•    EFSM Macolin-Suisse, Jeunesse + Sport, 1993

ALGUMAS DICAS SOBRE PERCURSOS TESTE


De tempos a tempos, tanto o treinador como o atleta, querem saber, utilizando percursos-teste, se os progressos são visíveis e/ou em que nível se situa a performance do orientista. Os dados recolhidos nestes testes servem igualmente para fornecer informação importante para a ulterior planificação e concepção dos treinos.

Nos percursos-testes podemos, por exemplo, combinar a avaliação da técnica de corrida em todo-o-terreno com a avaliação da condição física – frequência cardíaca e força:
•    O orientista percorre o mesmo itinerário em intervalos regulares – de 3 em 3, 5 em 5 semanas ou mensalmente – no limite do esforço (velocidade de competição);
•    Durante o teste, a frequência cardíaca é medida com o auxílio de um cardio-frequencímetro
•    O tempo é cronometrado - tempo total e/ou tempo por “secção”;
•    É feita a análise da técnica de corrida nos diferentes tipos de terreno;
•    Poder-se-á também, introduzir outros testes, junto ao local de partida, como por exemplo a avaliação da força e potência musculares: trem inferior, abdominais, etc.

Do mesmo modo, a análise da técnica de corrida mostra de que maneira o orientista domina os diferentes tipos de terreno e se a sua técnica é biomecânica e anatomicamente a mais correcta, com o objectivo de tornar mais eficaz a corrida e a leitura do mapa e evitar atitudes corporais incorrectas, que possam pôr em risco a saúde do jovem.

A Orientação moderna é, antes de mais, praticada em terreno de floresta. É, pois, importante e necessário, efectuar a maior parte do teste em terreno desprovido de caminhos. No entanto, assistimos cada vez mais ao desenvolvimento das provas em terreno urbano  – Park.O – que, na nossa opinião colocam problemas específicos, tanto no domínio do tipo de terreno, como no domínio das técnicas de orientação e da preparação física dos atletas.

O mais natural é, pois, combinarmos a técnica de corrida com a condição física.

No entanto, nos percursos visando a condição física, praticados em terrenos sem caminhos, é normal a tendência para a diminuição da cadência, prejudicando a eficácia da prestação do atleta, pois ele deve ir no limite do esforço. Para o evitar, torna-se necessário o balizamento cuidadoso do itinerário do percurso-teste, que deve permanecer inalterável durante muito tempo.

O treinador deve escolher áreas do mapa que não sejam facilmente alteradas, quer naturalmente, quer pela acção dos utilizadores da floresta e balizar com eficácia os percursos para que os atletas os realizem no máximo da sua velocidade cada vez que fazem o teste.

O treinador deverá construir uma grelha de registo onde constarão os parâmetros que ele quer avaliar – tanto da técnica da corrida, como dos tempos, dos parâmetros fisiológicos, e outros, que ele julgue importante analisar.

Toda a informação recolhida deve ser guardada no Diário de Treino do atleta e no Dossier do Treinador, para comparações ulteriores.


TÉCNICA DE CORRIDA EM ORIENTAÇÃO

O orientista deve aprender a adaptar a sua técnica de corrida aos diferentes tipos de terreno – para que se torne biomecanicamente mais eficaz e, simultaneamente, adoptar uma atitude corporal anatomicamente o mais correcta possível, a fim de não sobrecarregar as articulações e a coluna vertebral (principalmente a lombo-sagrada), evitando más posturas corporais que, a médio e longo prazo, possam degenerar irreversivelmente em lesões mais ou menos graves, afectando a saúde e o equilíbrio e harmonia do sistema ósteo-articular do orientista.

Um treino eficaz da técnica de corrida, que pode servir simultaneamente de teste, consiste em introduzir no percurso todos os tipos de terreno possíveis de encontrar: terrenos duros, terrenos moles, subidas, descidas, areia, aceiros, caminhos, vegetação rasteira, floresta com grau de penetrabilidade diversa, terreno com vários obstáculos, etc.

Pode-se, assim, intercalar no percurso, vários circuitos (“secções”), comportando, cada um, um tipo particular de terreno.

Em intervalos regulares, avalia-se o tempo necessário para efectuar ou o percurso por inteiro ou uma ou outra secção do percurso em particular. Isto vai permitir avaliar a evolução das aptidões do atleta, mostrando de que maneira ele domina os diferentes tipos de terreno.

Treinar a correr em terreno variado, lendo o mapa, tendo em atenção uma atitude corporal anatomicamente correcta e sem queixas, é, pois, fundamental e prioritário para a saúde e evolução técnica do jovem orientista.
Assim, para além de medir o(s) tempo(s), torna-se fundamental que o treinador observe – e corrija – a técnica de corrida do atleta nas várias secções específicas do percurso.

A frequência cardíaca joga um papel importante, permitindo saber mais sobre as possibilidades de momento do atleta e, sumariamente, determinar a intensidade das unidades de treino ulteriores. Ao mesmo tempo, no âmbito da motivação, desenvolve nos jovens o sentimento de velocidade, intensidade e esforço.



EXEMPLO DE PERCURSO-TESTE, COMPORTANDO DIFERENTES TIPOS DE TERRENO
Secções possíveis:
•    A – B = corrida em campos e caminhos – áreas abertas, carreiros, caminhos de solo duro, …
•    B – C = terrenos húmidos – pântanos, charcos, …
•    C – D = terreno de floresta normal,
•    D – E = caminhos e aceiros de areia solta …
•    A – B = terreno de floresta muito irregular – subidas, descidas, depressões, …

Uma sessão-teste deve comportar 2 voltas ao percurso – cerca de 12 Km – para a elite sénior e uma só volta para a elite júnior (cerca de 6 Km).

Para os escalões mais jovens utilizar-se-ão distâncias e tipos de terreno, que embora necessariamente variados, sejam adaptados às condições físicas e técnicas dos atletas: Iniciados: 3 Km; Juvenis: 4 Km.

Embora o orientista tenha a referência de sucessivos balizamentos do percurso a realizar, deve realizar o percurso-teste com mapa e bússola, para melhor gerir o seu esforço e ter a noção do percurso, antecipando as sucessivas características do terreno e as mudanças de direcção.

No local de partida, poder-se-á criar as condições para a avaliação da força:
•    Força abdominal – flexões;
•    Força do trem inferior – saltos-cangúru numa determinada distância.






segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ESTÁGIOS DESPORTIVOS DE APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO


 
Os chamados Estágios desportivos de aperfeiçoamento técnico ou Campos de férias desportivas têm lugar no tempo das férias escolares e uma duração que varia entre os 3 os 7 dias.
Os jovens têm a possibilidade de participar num programa de actividades de aperfeiçoamento técnico da modalidade da sua preferência, conhecer e reforçar laços de amizade, aprender a trabalhar em equipa e adquirir noções importantes sobre educação ambiental, entre outras.
Passamos a referir os aspectos que julgamos mais relevantes na organização destes estágios, a adequar em função da sua duração, tendo como referência a Orientação desportiva.

ORGANIZAÇÃO  DE  ESTÁGIOS  PARA  JOVENS
ORIENTAÇÃO DESPORTIVA

Objectivos gerais
·  Aperfeiçoamento técnico da modalidade
·  Ocupação dos tempos livres
·  Formação integral dos jovens
·  Reforço de laços de amizade e de intercâmbio
·  Conhecimento do meio e da realidade
·  Educação ambiental
·  Noções de Segurança e de Primeiros socorros
·  Fomento da cooperação e trabalho de equipa

Objectivos específicos
·  Prática de situações específicas de aperfeiçoamento técnico de Orientação
·  Aquisição de noções sobre o treino e competição em Orientação
·  Informação sobre segurança e primeiros socorros em meio natural
·  Aquisição de noções sobre respeito e preservação da natureza.

Organização
Factores a ter em conta, a serem tratados com a antecedência necessária, para que, na data de início do campo, tudo esteja definido:

Alojamento
·  Locais onde os participantes possam estar isolados, tranquilos, em segurança e onde o único estímulo exterior seja a natureza.
·  As instalações devem garantir a alimentação, os banhos e possuir espaços exteriores para actividades lúdico-desportivas.
·  São exemplos: os albergues, os parques de campismo, algumas escolas e os centros de estágio.

Alimentação
·  Deve ser equilibrada, variada e ir um pouco ao encontro das preferências dos participantes
·  Nº de refeições por dia: pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar
·  Reforço alimentar para as actividades na floresta: a meio da manhã e a meio da tarde (lanche)

Enquadramento técnico
·  Equipa Técnica: director de estágio, director de actividades, técnico responsável, monitores e ajudantes.

Director do Estágio - responsável máximo do Estágio, coordena todo o processo de selecção de monitores, escolha do local, é responsável pela gestão financeira, organiza os contactos com as diversas entidades que colaboram com o estágio, define o tipo de alimentação e participa na organização das actividades.

Director de Actividades - responsável operacional pela organização e desenrolar por todas as actividades do estágio. Este trabalho é realizado em conjunto com o director do estágio, de forma a haver uma coordenação de ideias entre os dois responsáveis máximos do estágio. Na ausência do director do estágio assume a direcção a todos os níveis de decisão.

Técnico de Orientação - (ver “Orientação Técnica”).

Monitores - são responsáveis pelo controlo dos participantes – apoio, acompanhamento e vigilância – e pela colaboração prática na realização das diversas actividades. A relação monitor/participante deve ter em conta a idade e as características dos participantes e não deve exceder, em geral, os dez participantes para um monitor.

É importante que a maioria dos monitores tenha experiência em Orientação, pelo facto de ser necessária a sua participação activa nas sessões práticas. Devem igualmente possuir formação e aptidão pedagógica e conhecimentos de organização, de direcção de actividades lúdicas e de dinâmica de grupos.
É prática corrente recorrer-se ao trabalho benévolo dos professores e/ou treinadores responsáveis pelos alunos/atletas das escolas e/ou clubes presentes durante os estágios, mas que, em geral, não são suficientes para enquadrar os jovens inscritos nos estágios.
No sentido da superação desta lacuna, sugere-se à FPO a criação de cursos de formação para monitores, com a colaboração dos clubes da modalidade.

Divulgação
·  Utilização de meios atractivos para os participantes e esclarecedores para os encarregados de educação.

·  Os meios mais utilizados são a internet, as pequenas brochuras, os desdobráveis e os cartazes, onde deve constar a ficha de inscrição para o estágio – dados pessoais do participante, identificação do encarregado de educação e os contactos da família.

·  A informação deve ser precisa no que respeita à entidade organizadora, localização, acessos, telefones, descrição das instalações, responsáveis pelo campo, número e idade dos participantes, equipamento exigido e aconselhado, actividades a realizar e custo do estágio.

Inscrições
·  Realizadas dentro da data limite, com a ficha devidamente preenchida com letra legível.

·  Após a selecção dos participantes, cujos critérios são definidos pela organização, torna-se pertinente conhecer o perfil dos participantes e dar a conhecer a orgânica do estágio, quer através de uma reunião geral entre os directores do estágio e de actividade e os encarregados de educação quer através do preenchimento de um questionário elaborado para o efeito – não podendo estar presentes na reunião, serão enviados via internet ou correio normal.
Os encarregados de educação devem fornecer algumas indicações sobre as características dos seus educandos: comportamento sócio-afectivo, autonomia, saúde e hábitos, bem como o grau de experiência na modalidade.
Os directores de estágio e de actividade devem expor, de forma sintética, toda a orgânica do estágio, explicando algumas regras que são directamente relacionadas com os encarregados de educação, como por exº, o dinheiro que os participantes podem levar, a hora de visita e de utilização do telefone, a obrigatoriedade de os participantes levarem B.I., fotocópia do cartão de assistência médica e documentos do seguro.

Participantes
·  O número de participantes é definido de acordo com a capacidade das instalações, as actividades a desenvolver e o número de monitores disponível.

·  Também se deve ter em atenção as idades dos participantes e o número de participantes por sexo, de forma a haver um equilíbrio numérico.

Orientação Técnica
·  Torna-se necessária a opção de um profissional de E.F., com um currículo relevante na modalidade, que, em conjunto com o director do estágio e o director de actividades, programe as sessões práticas e que posteriormente dirija, enquadre e coordene os monitores na gestão dos grupos e dos conteúdos dessas sessões práticas.
Este profissional deve ter três a quatro ajudantes (atletas mais velhos) no apoio à colocação, levantamento e manutenção das balizas e sistema electrónico ou manual de picotagem, dos cartões de controlo e preparação dos mapas e outros materiais necessários no decorrer das sessões práticas e teóricas.

·  A educação ambiental e as noções de segurança e primeiros socorros, tornam-se pertinentes num estágio de Orientação, devendo ser leccionadas, sempre que possível, por técnicos experientes nestas áreas, de forma a mostrarem e explicarem aos participantes a fauna, flora, regras de preservação do ambiente e normas de segurança e primeiros socorros em meio natural.

·  Nas actividades que se realizam no interior ou na periferia do alojamento, podemos praticar jogos de animação. São organizados pelos monitores e devem ir ao encontro das expectativas dos participantes, proporcionando momentos de convívio e amizade entre todos, mesmo utilizando situações que envolvam competição entre equipas.

·  Os monitores devem ter um vasto conjunto de jogos, de maneira a poderem fazer alterações de acordo com o balanço da actividade nas reuniões técnicas diárias.

Transportes e comunicações
·  Na realização de actividades fora do local de alojamento é importante a organização de um sistema de transportes, que feita com antecedência, poderá ter o apoio de entidades, como, por exemplo, a autarquia.

·  No entanto, é necessário ter sempre previsto uma alternativa para possíveis falhas.

·  Também é importante haver sempre no campo uma viatura de apoio, se possível de todo o terreno, que poderá ser utilizada no transporte dos lanches, de algum material desportivo ou, ainda, para situações de emergência.

·  Deve ainda haver um sistema de comunicação – rádio, telemóvel – que ponha em permanente contacto os elementos da equipa técnica, especialmente nas situações em que os grupos estão em diferentes locais a realizar diferentes actividades.

Desenvolvimento do estágio
·  Durante a realização do estágio torna-se importante tentar respeitar o que foi planeado. No entanto, o programa pode ser modificado de acordo com o decorrer das actividades ou com as necessidades da organização.

·  A recepção é feita pelo director de estágio após a chegada de todos os participantes. É feita de forma breve, sendo apenas apresentadas as instalações e apresentado o horário da primeira refeição.

·  A distribuição dos participantes pelo alojamento deve ser feita mediante a especificidade do escalão etário e as suas preferências.

·  A reunião geral do primeiro dia serve para apresentar os responsáveis e informar os participantes das regras do estágio como, por exemplo, horários das refeições e dos transportes, utilização das instalações, visitas e participação nas actividades.

·  O recolher dos participantes é feito, com a excepção do primeiro dia, após a realização da animação nocturna. Deve haver alguma tolerância horária por parte dos responsáveis, uma vez que os participantes vêm de uma actividade excitante. No entanto, é aconselhável que, até ao termo da reunião técnica, todos os participantes estejam a dormir.

·  A reunião técnica diária é de grande importância, uma vez que é a ocasião em que se faz o balanço das actividades do dia e se preparam as actividades do dia seguinte.

·  Os períodos de tempo em que os participantes não têm actividade organizada têm como objectivos permitir que os participantes se preparem para as actividades do dia e tenham momentos para as suas próprias brincadeiras, leitura, descanso e correspondência.
·  No último dia do estágio, para além das habituais despedidas, é importante fazer-se uma inspecção às instalações, antes dos participantes partirem, por forma a verificar eventuais esquecimentos e estragos nas instalações.

A organização e realização de Estágios é uma actividade que implica grande responsabilidade e tempo de preparação.
A responsabilidade verifica-se no papel que os directores e monitores desempenham no controlo, durante vários dias, de um número considerável de participantes, de forma a garantir a sua segurança, que as actividades resultem em práticas significativas e que tudo corra na perfeição.

Critérios de êxito a ter em conta em acções de formação e estágios de Orientação para crianças:
§  Adquirir autonomia em ambientes desconhecidos.
§  Descodificar a simbologia de base do mapa (não o relevo ou outros objectos particulares) e poder relacioná-la com o terreno (e vice-versa).
§  Situar-se no terreno pelo sistema da “triangulação” e, portanto, sem bússola.
§  Orientação “espacial”: com o mapa orientado, devem poder optar por uma direcção a seguir.
§  Seguir por um caminho simples: com o mapa orientado – e a técnica do polegar.
§  Não utilizar a sinalética dos postos de controlo da IOF.
§  Adquirir uma velocidade de execução adaptada às suas aptidões, que lhe permita integrar todos estes parâmetros.

REFERÊNCIAS:
·         Animação Desportiva para jovens, Editora Almedina, 2001.